Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vinculados ao IN2PAST.BR, identificaram uma imagem inédita oculta sob a tela Dora (1934), de Anita Malfatti, pertencente ao acervo do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP. A revelação reforça a importância da interseção entre arte, ciência e tecnologia para o aprofundamento da história da arte brasileira.
A análise revelou a figura de uma mulher nua, pintada antes da obra final. A descoberta foi possível graças ao uso de um aparelho de Reflectografia no Infravermelho (IRR), fornecido pelo Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). O equipamento permite visualizar camadas inferiores da pintura por meio da radiação infravermelha refletida.
A equipe também utilizou o Macro XRF, que detecta elementos químicos na composição da obra. As imagens revelaram a figura de uma mulher nua deitada, com contornos bem definidos de cabeça, tronco e membros — um trabalho completo.
Segundo a equipe, a análise dos pigmentos detectou o uso de estrôncio, um indicativo de camadas pictóricas elaboradas, o que confirma que Anita finalizou a pintura antes de reutilizar a tela para produzir o retrato de Dora, sua prima. O uso de tecnologias não invasivas reafirma o papel da ciência aplicada na preservação e interpretação de obras patrimoniais.

